quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Hubble vê criação de ouro e elementos pesados após colisão de estrelas mortas

A análise de uma explosão de raios gama – fenômeno do tipo mais mais energético que se conhece no Universo – confirmou indício de que esse evento pode ser provocado pela colisão de dois núcleos de estrelas mortas.

A descoberta, feita a partir de imagens do Telescópio Espacial Hubble, dá apoio a uma teoria sobre com surgem os elementos naturais mais pesados da tabela periódica.

Os astrônomos dizem ter observado no mês passado a fusão de duas estrelas de nêutrons -essencialmente, astros que pararam de brilhar após esgotarem seu combustível de fusão nuclear. 

Estrelas como o Sol, quando explodem em eventos chamados supernovas, produzem apenas elementos com peso até a região do ferro (com número atômico 26). 

Cientistas ainda debatiam como elementos tais quais o ouro (número atômico 47) surgiriam no Universo.

Ao analisar a explosão de raios gama catalogada com a sigla GRB 130603B, Edo Berger e dois de seus colegas do Centro Harvard-Smithsonian de Atrofísica, de Boston, viram algo atípico. 

Nos momentos que se seguiram à explosão, ocorrida 3,9 bilhões de anos-luz de distância da Terra, a região onde o evento ocorreu passou a emitir um tipo de luz infravermelha associada ao decaimento de átomos radiativos. O espectro daquela luminosidade era o de núcleos dos elementos pesados emitindo nêutrons e revelando sua presença.

“Estimamos que a quantidade ouro produzida e espalhada pelo encontro das estrelas seja dez vezes maior que a massa da Lua”, disse Berger em comunicado à imprensa.

A descoberta foi feita graças à precisão do Hubble, que foi apontado para a região da explosão nove dias após o evento. A emissão de raios gama, em si, durou apenas 0,2 segundo, e não pode ser detectada por telescópios ópticos –havia sido captada por satélites de pesquisa. 

Com a observação do Hubble, porém, ficou claro para os cientistas que devia se tratar de um evento como a colisão de estrelas de nêutrons, pois o padrão de emissão de luz visível e infravermelha estava de acordo com simulações feitas em computador.

O estudo de Berger e seus colegas foi submetido à revista “The Astrophysical Journal Letters”, onde ainda será revisado por cientistas independentes. O trabalho foi tornado público após ter sido depositado no acervo online arXiv (http://arxiv.org ). 

(Fonte: Folha.com)

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